RSS

Arquivo da categoria: MENSAGENS

Mensagens de reflexão e edificação

QUANDO DEUS FICA EM SILÊNCIO

silencio“Ah! Quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu intento é que o Todo-poderoso me responda!” (Jó. 31:35)

Você já teve a experiência de clamar a Deus por uma resposta e Ele fica totalmente calado sem responder nada? O Ministério Voz da Verdade canta uma canção que gosto muito “Quando Deus se cala”: “Há momentos que Deus se cala e não ouço a sua voz, a minh’alma grita forte… No silêncio aprendi, que ele está a me moldar… No silêncio do sepulcro, foi no inferno pra salvar, mas o mundo não sabia, que ele estava a trabalhar…”

Diz a Bíblia que quando Samuel ainda era um menino e ajudava o sacerdote Eli no templo, “naqueles dias raramente o Senhor falava, e as visões não eram frequentes” (I Sm 3.1). Talvez você já tenha experimentado uma aparente demora ou ausência de Deus. Fico tentando imaginar por que Deus em determinados momentos se cala, justamente quando mais precisamos ouvir a Sua voz e direção. E concordamos com uma coisa: é terrível “ouvir o silêncio de Deus”.

O silêncio de Deus grita mais alto em nossos ouvidos do que o ruído da tempestade. Não é fácil lidar com o silêncio de Deus. Não é fácil gritar por socorro e escutar apenas o silêncio. Não é fácil orar por vários anos e a resposta não chegar. Muitas vezes, Deus lida conosco por meio do silêncio. Foi assim como Jó. Depois de perder seus bens, filhos e saúde, Jó ainda enfrentou a revolta da mulher e a incompreensão dos amigos. Jó transmite uma personalidade caracterizada pelo ser, não pelo ter (Jó 2:10). Ele perde seus bens, ainda mantém sua convicção. Perde seus filhos, e ainda permanece fiel. Jó perde a sua própria saúde, mas guarda esperança. Jó sofreu um grande impacto ao ver que já não podia mais contar com sua esposa, mas mesmo assim a sua fé não é abalada (Jó 1:21). A história de Jó ao ser lida com espiritualidade e fé, nos traz esperança e motivação para vencer qualquer peleja da vida. Mas se olharmos bem a fundo no livro, veremos que Jó enfrentou um dos maiores dilemas das aflições da vida. O silêncio de Deus (Jó 31:35).

Jó ergueu aos céus dezesseis vezes a mesma pergunta: Por que? Por que? Por que? A única resposta que recebeu foi o total silêncio de Deus. Jó expôs sua queixa trinta e quatro vezes. Ouviu como resposta apenas o silêncio. Quando Deus falou com ele, não respondeu sequer uma de suas perguntas. Ao contrário, fez-lhe setenta perguntas, revelando sua majestade e poder. Deus restaurou a sorte de Jó e deu-lhe tudo em dobre e ainda uma vida longeva. Jó viu os filhos dos filhos até a quarta geração. Quando Deus fica em silêncio é porque ele está trabalhando em nosso favor e não contra nós. Ele está preparando algo melhor e maior para nossa vida. Quando Deus fica em silêncio ele continua sendo nosso Pai onipotente, amoroso e bom!

É no silêncio que Ele está trabalhando (Is 64.4). O silêncio de Deus em nossas vidas, também traz experiências que nos servem como exemplos, para entendemos a posição do nosso Deus, quando ficamos em silêncio, não falando com Ele e nem o ouvindo.

O silêncio não é algo meramente negativo. Quando as palavras falham, é o silêncio que exprime os grandes sentimentos de dor, de alegria e de amor. Ele é o teste definitivo dos grandes gênios, dos grandes santos, dos grandes amantes. Em Deus, o silêncio fala sem palavras e a palavra fala em silêncio. O espírito é levado ao silêncio de Deus para aí ouvir a sua Palavra.

Somente no contexto do silêncio é que a palavra divina pode ser ouvida e o Verbo pode encarnar-se em nossas mentes e corações, pela aceitação da fé, do amor e da esperança. O silêncio de Deus é esse eterno processo de encarnação do Verbo em nossas vidas. O silêncio pode levar-nos a Deus e esta é a razão pela qual o diabo procura atrapalhar.

Talvez pudéssemos parafrasear Oséias 2,14 que diz: “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” e dizer: “Levá-lo-ei ao meu silêncio e aí lhe falarei ao coração”. O silêncio ensina-nos a esperar por Deus, mas sem deixar de procurá-lo. O silêncio de Deus é também um silêncio de paz e de felicidade, o que não exclui o sofrimento.

Há muitos que confundem silêncio com solidão, o que é lamentável, porque há uma imensa diferença entre ambos. Solidão significa estar à espera de Deus, estar a sós com Deus, ao passo que o silêncio é este imenso mar no qual você mergulha e fica perenemente tranquilo, sem, entretanto, nenhuma conotação ou ideia essencial de estar sozinho.  O silêncio de Deus é para nos levar a uma total dependência Dele, reconhecer que só Ele pode todas as coisas. É para nos ensinar a esperar e descansar nele, com a certeza de que no seu tempo “Kairós” virá com a vitória que necessitamos. O nosso tempo “Kronos” não é o tempo de Deus, por isso temos que aguardar com fé. Deus está trabalhando enquanto esperamos nele, (Is 64.4). Quando Deus se cala é para que nós busquemos com maior intensidade a sua presença. Alguns dizem: “Deus tarda, mas não falha”! Eu não concordo e declaro: “Deus não tarda e nem falha, Ele tem o seu tempo determinado”!

Bispo Hermes da Gama

 
4 Comentários

Publicado por em 01/02/2013 em MENSAGENS

 

Tags: , ,

SOFRIMENTO

LAGRIMAAproveitando a oportunidade que me deram para escrever um artigo para uma edição do JSN (Jornal Shalom News), quero falar um pouco de umas das coisas que estava refletindo nesses últimos dias, o sofrimento. Analisando tudo isso que temos passado, onde estamos rodeados por acontecimentos e lutas que estão além das nossas forças e que muitas vezes são maiores que nós. Mas Deus se importa com tudo isso e está comprometido conosco, e o seu amor por nós não diminui mesmo com as batalhas da vida, porque ele é fiel com os escolhidos. Há uma canção que muito tem me abençoado nesses dias, é uma tradução para o espanhol da música de Don Moem: “Sendas Dios hará, donde piensas que no hay, Él obra en maneras que no podemos entender, Él me guiará a su lado estaré, amor y fuerza me dará, un camino hará donde no lo hay. Por camino en la soledad me guiará Y agua en el desierto encontraré, la tierra pasará, su palabra eterna es, Él hará algo nuevo hoy!”

São tantos os textos que poderia usar para descrever o sofrimento, porque a Bíblia está repleta deles, mas meditando um pouco no Salmo 73, o autor Asafe escreveu as palavras desse Salmo como uma resposta à sua própria decepção e crise num momento em sua vida. Ele nos apresenta uma profunda decepção que, por um tempo, teve receio de admitir. Não entrarei em detalhes, mas é só um comentário rápido. Dá impressão de que ele questionava sobre pessoas más que parecem ser abençoadas enquanto que as pessoas boas parecem sofrer maldição. Asafe estava sofrendo e lutando em suas batalhas. De muitas maneiras, a sua experiência é como a nossa própria. Ele estava falando por nós hoje. O coração de Asafe havia sido o campo de guerra das suas lutas. Dizem que “quando olhamos para trás é que vemos as coisas como elas são”. Asafe estava cheio de dúvidas e questionamentos. Parecia-lhe que o sofrimento era algo sem lógica, algo incompreensível e absurdo. Ele não era capaz de entendê-lo nem explicá-lo: “Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus…” (Sl 73.16-17).

Ninguém gosta e ninguém aceita o sofrimento, e muitas vezes ficamos sem respostas e o que devemos fazer é sempre descansar em Deus, entrar no santuário da oração e da adoração, pois Deus sabe de todas as coisas e sabe que sofremos. No santuário nem sempre recebemos a explicação para o porquê de nossos sofrimentos, mas em compensação recebemos consolo, recebemos fortalecimento e uma profunda paz. Na maioria das vezes, nós nos sentimos totalmente incapazes de dizer ou fazer qualquer coisa para aliviar a dor dos que sofrem. Mas Deus pode fazê-lo.

Até um homem como O profeta Elias chegou ao ponto de se sentir desesperado e questionava o motivo de tanto sofrimento. Ele não recebeu uma resposta para suas perguntas, mas recebeu comida e bebida para sua longa jornada em busca de um novo encontro com o Senhor. João Batista foi tomado de dúvidas quando estava no cárcere. E ele também não recebeu resposta ao porquê de seus sofrimentos, dúvida que certamente ocupava sua mente. Mas ele recebeu a palavra e a força do Senhor. Jesus é o nosso maior exemplo de um sofrimento incomparável, o mais doloroso de toda a história. O apóstolo Paulo, você já imaginou quanto sofrimento ele passou, no Novo Testamento ninguém sofreu tanto quanto ele. No Antigo Testamento, que história triste teve José, mas com um final feliz. Jó, quem já passou por uma experiência tão dolorosa. Muitas são as aflições do justo, mas de todas elas nos livra o Senhor, Sl. 34:17. Sofremos por amor a Jesus, por amor aos outros e principalmente à Igreja e sofremos por testemunhar da fé.

Sofrimento por amor a Jesus. Foi dito ao apóstolo Paulo que ele iria sofrer muito por amor a Jesus (At 9.16). Os profundos sofrimentos por amor a Jesus faziam parte de sua elevada vocação.

Sofrimentos por amor aos outros (à Igreja). É isso o que nos relata Colossenses 1.24: “Agora me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja.” Sofrimentos suportados com paciência por um cristão servem de exemplo e testemunho para toda a Igreja, pois é nisso que o caráter de Jesus mais se reflete.

Sofrimentos por testemunhar da fé para a glória do Senhor. O salmista Asafe testemunha em meio ao seu sofrimento: “Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho, e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfalecem, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre… Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos”(Sl 73.23-26, 28).

Que o Senhor, Jeová Rafah, o médico Divino, possa derramar o bálsamo da cura em nossos corações!

Bispo Hermes da Gama

 
Deixe um comentário

Publicado por em 30/01/2013 em MENSAGENS

 

Tags: , ,

MINISTÉRIO E FUNÇÃO DO BISPO NA IGREJA

preview_html_481d94e5Introdução:

O Bispo é um dignitário da Igreja, exerce um cargo elevado, goza de um título proeminente, possui a plenitude do sacerdócio e detém regularmente a direção espiritual das Igrejas.

Em Atos dos Apóstolos lemos: “De Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da Igreja” (Atos 20.17). “Cuidai, pois, de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que Ele adquiriu com seu próprio sangue” (Atos 20.28).

Aplicação do Termo Bispo

         “Na cultura grega, tanto os deuses como os homens podiam ser descritos como episkopoi ou “supervisores” em sentido geral e não técnico. A palavra denotava também magistrados que administravam as rendas dos templos pagãos. Plutarco chama o pontífice romano (pagão) de episkopos (supervisor). A palavra é aplicada também aos filósofos como diretores espirituais.”  (O Novo Dic. Da Bíbl. Vol.I, pg.220).                                                      

O termo “Ancião” (“presbíteros” em Grego) é sinônimo de bispo (“epískopos) e pastor (poimen). E todos são chamados também de ministros (em Grego “hyperetes”) que significa “servo”. “Portanto que todos nos considerem como ministros de Cristo” (1 Cor. 4.1). O termo ministro abrange a todos os serviçais da Casa de Deus. E o termo bispo indica a função de supervisor e não título, pois o bispo é também um ministro da Casa de Deus. “Inácio, um dos padres (pais) da Igreja, do século II, mostra-nos que, na primeira metade do II século da era cristã, o ofício de bispo se tinha desenvolvido, envolvendo maior parcela de autoridade do que o ofício de ancião” (Russel N. Champlin, ph.D.)

O termo “bispos” (episkopois) significa literalmente “supervisores”. Os dois versos acima mostram que “os bispos eram pastores que pastoreavam o rebanho de Deus e eram também anciãos  que exerciam autoridade exclusiva sobre a igreja local. Na igreja cristã primitiva estes termos eram usados intercaladamente , visando sempre os mesmos indivíduos, embora encarando suas funções sob ângulos diferentes. Somente  a partir do século II a.D. é que o termo “bispo” passou a designar um ancião em chefe, que governava um certo número de igrejas, e que geralmente ficava em um determinado distrito ou território (diocese).” (idem).

“Os anciãos (bispos) não eram especialmente distinguidos por motivo de sua idade e maturidade, e, sim, porque eram os “supervisores”, ou seja, aqueles que tinham a responsabilidade pela direção do rebanho inteiro. Ora, nessa função deveriam agir também como pastores, isto é, alimentando, cuidando, e protegendo o rebanho. O próprio Senhor Jesus é chamado de “Pastor e Bispos das vossas almas” (1 Pe 2.25).” (Idem).

Ancião no Antigo Testamento

No AT os Israelitas viviam organizados em tribos, e autoridade ficava nas mãos dos chefes das tribos, clãs e famílias. Eram, portanto, os anciãos homens de certa idade, chamados “zeqenim” (Hebraico)… Os chefes das famílias mais poderosas exerciam autoridade na tribo. Às vezes estes chefes tribais são chamados de príncipes ou principais do povo. É por isso que o nome “ancião”, desde cedo se refere mais a dignidade do que idade. Os anciãos de uma tribo ou de Israel formavam a sua nobreza (Ex.3.16; Nm. 11.16). Em tempo de guerra os anciãos chefiavam seus súditos, e em tempo de paz exerciam a jurisdição (o conselho de anciãos julgavam as pequenas causas como juízes da tribo, ou da cidade) (Ex. 18.13-26). O papel dos anciãos era importante nas cidades, pois eram os habitantes mais notáveis. Os reis levavam em conta a opinião dos anciãos, e muitas vezes eram eles os seus conselheiros. (1 Sm.30.26). Os anciãos exerciam autoridade local nas cidades, e eram responsáveis pela administração das mesmas (Esdras 5.9, 6.7). No Sinédrio (Senado) Judaico, além dos escribas e chefes dos sacerdotes, havia cadeira para os anciãos (Mt. 27.41). Na diáspora, o governo das comunidades judaicas e das sinagogas ficava nas mãos dos anciãos, que tinham poder para admitir novos membros ou excomungar (Lc.6.22). “Assim, a função dos “anciãos” no AT como chefes do povo, corresponde ao de “bispos” no NT como chefes das Igrejas” (Dic. Encl. Da Bíblia, pg.71, Ed. Vozes,1977).

Nomeação do Bispo no Novo Testamento

O termo grego “epískopos” (bispo) é usado cinco vezes no NT: Em Atos 20.28; Fl. 1.1; 1 Tm. 3.2; Tito 1.7; e 1 Pe. 2.25. E indica a função de “supervisor”. Nos tempos antigos era usado para indicar os oficiais dos exércitos, bem como os “superintendentes” ou diretores dos trabalhadores, em qualquer projeto. Veio a ser palavra usada para indicar o trabalho da “administração eclesiástica”. Nas epístolas pastorais (1 Timóteo, 2 Timóteo, e Tito), encontramos O Apóstolo Paulo nomeando como Bispos das Igrejas Timóteo (1 Tm. 1.3,18) e  Tito (Tt.1.4-5), para que estes por sua vez  possam nomear “Anciãos” (presbíteros), ministros ( pastores,as) ,  e diáconos para governar as igrejas.Portanto, tanto Timóteo como Tito, é investido de autoridade pelo Apóstolo Paulo como um “Bispo Consagrador”, o qual tinha autoridade sobre um território ou distrito, e não simplesmente sobre uma igreja local. Veja como o Novo Testamento apresenta a hierarquia de autoridade: O Senhor Jesus Cristo, o Supremo Pastor e Apóstolo, Cabeça da Igreja, nomeia os Apóstolos, os Apóstolos por sua vez nomeia os Bispos; Bispos nomeiam Anciãos (Presbíteros), Ministros ou Pastores (as) e Diáconos. O Bispo é Nomeado pelo Apóstolo porque o Apóstolo é a maior autoridade na Igreja, é o maior, e o primeiro entre todos os dons do ministério. Em 1 Coríntios 12.28 Paulo diz que Deus estabeleceu na Igreja “primeiramente os Apóstolos”. O Apóstolo é um bisposupervisor de toda a Igreja. É importante também observar que o Apóstolo nomeia os bispos entre os anciãos (presbíteros). O Apóstolo escolhe para ser nomeado a bispo aqueles anciãos ou ministros que são mais notáveis, mais capazes e experientes para serem “supervisores” da obra de Deus. Paulo diz que o bispo a ser nomeado não pode ser um presbítero (ancião) novato, ou seja, neófito, recém-convertido, pois o mesmo não é maturo suficiente, não é experiente e provado. Portanto, o bispo a ser nomeado “Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação que caiu o Diabo” (1 Timóteo 3.7 – NVI).

O Ministério Episcopal de Paulo

   “O Apóstolo Paulo teve que disciplinar um outro apóstolo (Pedro) e o fez na função de bispo, embora ele nunca tivesse sido chamado  por esse título (Gl. 2.11). Vemos a presença de um ministério episcopal em outros aspectos do ministério de Paulo:

1)Paulo dava direção e conselhos a outros ministros. (1 Tm.4.11-16)

2)Ele confirmava ministérios (Atos 15.41; 18.23)

3)Constituía ministérios pela imposição de mãos, (2 Tm. 1.6)

4)Exercia disciplina e governo sobre a Igreja (1 Cor. 5).

Assim vemos que o dom ministerial de Paulo era o de um apóstolo, enquanto que a sua função na estrutura orgânica da Igreja era a de Bispo.” (Apóstolo Jota Moura –“A Estrutura da Igreja no Reino”- pg.15).                     

O Bispo é o “Homem Forte” da Igreja

“Pelo tempo de Inácio (o qual foi martirizado em cerca de 107 D.C., nos dias do imperador Trajano), sendo aquele o terceiro supervisor (bispo) de  Antioquia, já se desenvolvera forte episcopado”. O Bispo se tornou um líder mais destacado da Igreja governando uma região ou distrito nomeando e consagrando  pastores,  presbíteros, diáconos,  e supervisionando estas igrejas.

Jerônimo, um dos pais da Igreja, comentando Tito 1.5, diz que a supremacia do bispo (supervisor) em qualquer localidade aconteceu principalmente, pela necessidade de se evitar cismas na Igreja. (O NT Int. Vol.5, pg.307,308).

Portanto, neste sentido, o surgimento do Bispo como o “homem forte” da Igreja aconteceu por causa de lideranças “fracas” que  ameaçavam dividir o Corpo de Cristo. O Bispo é um homem forte e poderoso na doutrina e na Palavra como indica Tito 1.9: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes”.

Os Bispos trabalhavam em cada região procurando preservar a unidade da Igreja pelo “vínculo da paz” (Ef. 4.3). Eles formaram os primeiros Concílios e Colegiado de Bispos.

A ordem original de governo na Igreja Primitiva é o ministério plural (colegiado), onde vários apóstolos, profetas, bispos, anciãos, presbíteros, pastores, diáconos,  compartilhavam a liderança da Igreja.

A forma episcopal de governo eclesiástico é aquele em que os “Bispos” (supervisores) ou Bispas (episcopisas/ supervisoras) são liderados pelo cabeça que é o Apóstolo (Presidente da Igreja), formando o “Colégio de Bispos” (Colégio Episcopal) que têm a principal autoridade na Igreja, superior à autoridade de ministros, pastores (as), anciãos, presbíteros (as),  diáconos (isas) e demais líderes.

Qualificações e Funções do Bispo

   O uso cristão do termo “bispo” é empregado como descrição genérica de ofício responsável, seu significado foi definido de conformidade com as qualificações exigidas pela Igreja. Essas são alistadas em 1 Timóteo 3.l-7:

   “Esta afirmação é digna de confiança: Se alguém deseja ser bispo, deseja uma nobre função. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, moderado, sensato, respeitável, hospitaleiro e apto para ensinar; não deve ser apegado ao vinho, nem violento, mas sim amável, pacífico e não apegado ao dinheiro. Ele deve governar bem sua própria família, tendo os filhos sujeitos a ele, com toda dignidade. Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação que caiu o Diabo. Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do Diabo”.

“Portanto, o bispo deve ter caráter moral inatacável, habilidade de ensinar, natureza hospitaleira, paciência, experiência, sobriedade, liderança, e integridade completa, ou em outras palavras, as qualidades requeridas de um bom mestre, pastor e administrador. O Apóstolo Paulo diz em Atos 20.28 que “…O Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a Igreja de Deus”… O Espírito Santo os fizera supervisores sobre o rebanho. Esta função não é simplesmente estabelecida no Corpo de Cristo pelos homens, ou pela organização eclesiástica, mas pelo Espírito Santo de Deus!

Os bispos são diferenciados dos presbíteros ou anciãos, pelo fato de serem Mestres “aptos para ensinar” (1 Tm. 3.2) na unção, na revelação, e dom do Espírito Santo. Os bispos possuem liderança e preeminência no magistério da Igreja. Eles labutam no ministério da Palavra e do ensino. “Há uma pluralidade de bispos na Igreja (Filipenses 1.1), eles agem como uma corporação (colegiado) para governar a mesma.” (O Novo Dic. Da Bíblia, Vol.I, pg.220).

O Apóstolo Paulo dá outra lista de qualificações do Bispo em Tito 1.7-9:

“Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador,  nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante; retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.”

O bispo e os demais líderes cristãos devem ser irrepreensíveis em suas qualidades morais. O bispo de ser “despenseiro” da casa de Deus. Em grego é “oikonomos” que significa “gerente”, “mordomo”, “administrador”. O bispo é gerente, mordomo e administrador da casa de Deus que é a  Igreja do Senhor Jesus Cristo. O “dono” da “casa” é Deus, o Senhor Jesus; e o “mordomo” ou “gerente”, é o “bispo”, e todos os demais servos da casa devem obedecer às suas ordens. Pois, o bispo por sua vez deve prestar conta ao seu Senhor de sua mordomia. O bispo não pode ser soberbo, mas humilde. Não pode ser iracundo, briguento. “Não dado ao vinho”, ele deve evitar bebidas alcoólicas. “Nem espancador”, o bispo não pode espancar as ovelhas e seus companheiros de ministério. Não pode ser um “ditador” no uso do poder que Deus lhe confiou para espancar e esmagar os outros que estão debaixo de sua autoridade. O bispo não pode ser “cobiçoso de torpe ganância”, isto é, não pode ganhar “dinheiro” desonestamente. Não pode aproveitar de sua posição para “tirar dinheiro” das pessoas para si próprio. O bispo como “supervisor” deve ser hospitaleiro, liberal, franco e generoso; justo e piedoso. Ao mesmo tempo firme na doutrina e poderoso na Palavra de Deus.  Paulo diz, “para que seja poderoso”, ou seja, o bispo é um homem “poderoso” na “casa de Deus”. Por quê?  Porque ele “prega uma mensagem poderosa!”, capaz tanto de exortar como de convencer os ouvintes! Sua palavra é capaz de mudar a mente das pessoas! Sua palavra é capaz de mudar o destino das pessoas! Sua palavra é capas de “tapar a boca dos hereges!.” E ele é poderoso porque há algumas tarefas na Igreja que somente o bispo é capacitado por Deus para realiza-las. E finalmente, ele é poderoso porque vive uma vida irrepreensível na presença de Deus. Ele é um nobre do Reino, um príncipe de Deus!

A Função do Bispo nas Diversas Igrejas.

Bispo, do Grego “epískopos”, na linguagem geral significa “supervisor”, “intendente”, a pessoa que dirige e administra a Igreja. Na linguagem eclesiástica das igrejas protestantes em que o termo é adotado (luteranos, metodistas), seu significado limita-se a esse sentido, que é o sentido grego original: supervisor ou intendente. “Entretanto, ao tentar evitar os excessos de autoridade que a Igreja Católica Romana atribuiu a seus bispos, a Igreja Protestante, em sua maior parte, ignorou essa função. (Com notáveis exceções, como a Comunhão Anglicana, a Igreja Metodista, a Pentecostal Holiness, etc.). E, por isso, achou termos sucedâneos, tais como: “superintendente”, “supervisor”, “moderador”, e assim por diante.” (Apóstolo Jota Moura – “Estrutura da Igreja no Reino” – pg.14).

Para as Igrejas Católica, Ortodoxa e Anglicana, os bispos são, por direito divino, sucessores dos apóstolos, aos quais Jesus confiou a tríplice missão de magistério (ensinar, doutrinar), ordem (honra e autoridade), jurisdição (governar e legislar). Os católicos sempre entenderam que essa tríplice missão estava subordinada ao pontífice romano, sucessor de São Pedro. O concílio Vaticano II deu ênfase, no entanto, à idéia da colegialidade, i.e., do governo comum da Igreja pela totalidade dos bispos ou colégio episcopal/apostólico. ”(Encl. Barsa, Vol.4,pg.110).

“Os bispos são sucessores dos apóstolos. “Assim como, por vontade do Senhor, são Pedro e os outros apóstolos constituíram um colégio apostólico”… E esse colégio “junto com sua cabeça, o pontífice romano, e nunca sem essa” (A constituição dogmática de Ecclesia, 1964). Assim, a autoridade suprema da Igreja pode ser exercida não só pessoalmente pelo próprio papa, mas também de modo colegiado pela totalidade do episcopado” (idem). A pedra do anel  episcopal é a ametista, simbolizando sua fidelidade à Igreja. Cada bispo escolhe seu brasão e armas, bem como a frase que resume o ideal de seu ministério.” (idem).          

 Diversas Modalidades de Bispos Católicos

Há diversas modalidades de bispos de acordo com suas funções:

1)    Bispo auxiliar – bispo titular nomeado para ajudar, geralmente, o bispo residencial de uma diocese numerosa.

2)    2) Bispo coadjutor – bispo titular designado para assistir a um bispo residencial em suas funções, geralmente, com direito a sucessão.

3)    Bispo “in partibus infidelium” – bispo promovido a um bispado não residencial situado em país infiel ( o bispo é um embaixador).

4)    Bispo Metropolitano – bispo de uma metrópole (arcebispo).

5)    Bispo Prelado – o bispo que tem jurisdição sobre uma prelazia. (O termo “Prelado” é título honorífico privativo de certos dignitários eclesiásticos como bispos, arcebispos, chefes de comunidades religiosas). A prelazia é um território eclesiástico que não pertence a nenhuma diocese, governada por um bispo prelado; a prelazia pode ser uma pequena diocese dentro de uma grande diocese – por exemplo, o Reitor de uma Universidade, pode ser um Bispo Prelado.

6)    Bispo Residencial –  é aquele que exerce efetivamente o governo de sua diocese. (Quando se fala do bispo sem outra especificação, trata-se do bispo residencial, que em direito canônico é chamado ordinário do lugar).

7) Bispo sufragânio –  bispo residencial de uma sede episcopal dependente ou subordinada a um bispo metropolitano (arcebispo).

8) Bispo titular – sacerdote que é consagrado a bispo, possui todos os poderes do episcopado, mas não tem autoridade em sua diocese, por tratar-se de sede extinta, por ser o povo que a habita cismático ou infiel.

9) Bispo Presidente – aquele que exerce a presidência do Concílio ou da Igreja.

10) Bispo Nomeado – aquele que foi nomeado, mas aguarda o tempo para ser consagrado.

11) Bispo Efetivo – aquele que foi nomeado, consagrado e efetivado no episcopado.

12) Bispo Consagrador – aquele que está autorizado a consagrar outros líderes da Igreja ou das igrejas.

13) Bispo Jubilado – aquele que alcançou aposentadoria pelo tempo de trabalho no ministério.

                                        Os Poderes do  Bispo

   O termo “bispo”, como já sabemos, (“supervisor” em Grego), é aplicado aos chefes da Igreja desde o século II da era cristã. O Bispo possui os seguintes poderes na Igreja Universal em geral, sendo que possui mais poderes na Igreja Católica e menos poderes na Igreja Protestante (evangélicas):

1)    Poder de ordem, conferido pela consagração episcopal;

2)    Poder de jurisdição, isto é, poder legal, autoridade de aplicar as leis da Igreja sobre o território ou área de sua competência e influencia. Poder de conhecer as infrações destas leis, crimes ou delitos, e julgar e disciplinar.

3) Poder e direito de exercer um ministério espiritual na Igreja.

4) Poder espiritual para pastorear a Igreja como pastor que guia e cuida do rebanho.

5) Poder em questão de Fé e Doutrina, sob a presidência do Chefe dos Bispos (Bispo Presidente), os bispos reunidos em concílio (sínodo), têm poder para tratar e definir as questões sobre fé, doutrina, teologia, métodos, estratégias, filosofia e política da Igreja.

7)    Poder sobre a diocese, distrito, área, ministério, ou território debaixo de sua jurisdição, competência e responsabilidade; os bispos têm toda autoridade, estão investidos de todos os poderes para governar, supervisionar, e administrar a Igreja:

a) Poder Legislativo, fazer e aplicar leis, normas, regras, para o bom andamento e progresso da Igreja e avanço do Evangelho do Reino de Deus; b) Poder Executivo, administrar e supervisionar as finanças e bens patrimoniais da Igreja ou área de sua competência.

c) Poder Judiciário, julgar as causas eclesiásticas como juiz ou árbitro.

d) Poder de Conselheiro, os bispos são conselheiros do Bispo cabeça, Chefe da Igreja, ou seja, o Bispo Presidente.

e) Poder de propor a nomeação de novos bispos, ou seja, os bispos reunidos em concílio ( sínodo) têm o poder de propor a nomeação de novos bispos, que após ser considerado (homologado)  pelo Chefe dos Bispos, o Bispo-Presidente, poderá designar definitivamente.

f) Poder de deposição, os bispos reunidos em concílio (sínodo) têm o poder de propor a deposição ou retirar a investidura de um bispo, caso ele venha a cometer infração grave contra o ministério, à Igreja ou Episcopado. O bispo tem poder de depor, retirar, ou transferir, ministros (as), pastores (as), presbíteros (as), diretores (as) ou outros lideres sob sua jurisdição, e repor outros em seu lugar, sempre que necessário for para o bom andamento da obra , progresso da Igreja e avanço do Evangelho do Reino.

Para tanto, o Bispo devem, agir sempre debaixo da cobertura do Colégio de Bispos, com sabedoria, prudência, conselhos, e cheio do Espírito Santo. Iluminado pela Palavra de Deus revelada, pois “Onde não há conselho os projetos saem vãos, mas com a multidão de conselheiros se confirmarão” (Pv.15.22).

Colégio de Bispos

O Colégio de Bispos (Colégio Episcopal) é o grupo de bispos que têm as mesmas dignidades e prerrogativas na Igreja. Os bispos exercem governo colegiado (coletivo) na chefia da Igreja. Os bispos reunidos em concílio tomam deliberações sempre no principio do “consensus fidelium” (concordância ou uniformidade de opiniões, pensamentos, sentimentos, crença, concordância mútua). “Se por estarmos em Cristo nos temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito,..completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos.”(Filipenses 2.1-3). Portanto, uma Igreja, com governo episcopal é uma Igreja colegiada. A colegialidade é a característica da organização de seu governo. O Apóstolo Paulo cita a Igreja dos Filipenses como um exemplo de Colégio Episcopal governando a Igreja: “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (Filipenses 1.1). Havia uma pluralidade de bispos e diáconos na Igreja de Filipo formando o Colégio de Bispos.

Circunscrição Territorial Administrada

   A diocese, o distrito, a regional, ou área, é a circunscrição territorial administrada por um bispo ou arcebispo (arquidiocese). O termo aplica-se historicamente aos primeiros séculos do Império Romano a certas províncias do Oriente. O Imperador Diocleciano que governou o Império Romano (285 a 305 A.D.) realizou vasta reforma administrativa transformando as províncias em dioceses, que foi entregue aos governadores (vicários) cujo papel era administrativo e judiciário, sem nenhuma junção militar.  A Igreja nesta época aproveitou a estrutura administrativa do Império para estabelecer a estrutura administrativa da Igreja e o governo através dos bispos espalhados pelo mundo. Cada Bispo passou a supervisionar, governar, ou administrar, um determinado território (diocese) com diversas igrejas debaixo de seu comando.

Conclusão

             “Concluímos afirmando que a função do bispo é bíblica e necessária para a estrutura do governo da Igreja, quer aceitemos ou não outros aspectos da ordem episcopal, tal como é vista hoje em dia” (Apóstolo Jota MouraIdem).

Conforme Atos 20.1-29, especialmente os versos 17 e 28, o Bispo é um Presbítero (Grego), um Pastor (poimoneo –Grego), e um Ancião (Zedeqim- Hebraico). O bispo como “ancião”, derivado do AT, é um chefe importante, um conselheiro sábio, um administrador competente, um guerreiro valente, um comandante corajoso, um juiz justo, para tratar, julgar e direcionar todos os negócios do Pai na Igreja.

À luz do NT o bispo é um homem de Deus, um homem da Igreja, com certa idade, com maturidade espiritual, experiência cristã, e autoridade. É um notável entre os demais líderes da Igreja, é um homem de dignidade, possui liderança, é firme na fé, na doutrina e na Palavra de Deus, para pastorear, administrar e supervisionar toda a Igreja de Deus e especificamente a área de sua competência ou jurisdição.

Finalmente, os bispos são também reconhecidos como “príncipes” da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Eles são colocados por Deus na Igreja numa posição de “primazia, primado, preeminência”. Por causa deste privilégio, os bispos deverão ser tratados pelos membros da Igreja com reverência, respeito e honra, pois está escrito: “Os juízes não amaldiçoarás, e o príncipe dentre o teu povo não amaldiçoarás” (Êxodo 22.28). E também, por causa desta “primazia”, em tempos de perseguição contra a Igreja, os bispos são geralmente os primeiros a sofrerem perseguições, prisões, e às vezes até martírio por causa do Reino de Deus. Muitos bispos foram mortos nos três primeiros séculos de perseguição contra a Igreja por parte do Império Romano. Portanto, “primazia” tanto implica “privilégios” como também “responsabilidades” de dar a vida pelas ovelhas. O Apóstolo Pedro diz que Nosso Senhor Jesus Cristo, como “Pastor e Bispo” das nossas almas, levou nossos pecados sobre a cruz, deu a vida pelas suas ovelhas (1 Pe. 2.24-25).

Os bispos são autoridades constituídas por Deus no meio do seu povo para representar o Seu governo. “Que todos obedeçam às autoridades. Porque não existe nenhuma autoridade sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas por Ele… Porque elas estão a serviço de Deus… Assim você deve obedecer às autoridades, não somente por causa do castigo de Deus, mas também por uma questão de consciência… Portanto, paguem o que vocês devem a elas… Respeitem e honrem todas as autoridades.”(Romanos 13.1-6). Amém.

LEÔNCIO R. LANÇA

 
7 Comentários

Publicado por em 21/01/2013 em MENSAGENS

 

Tags: , , , , ,

COMO TRANSFORMAR SONHOS EM REALIDADE

imagemAnos atrás, um casal de amigos comprou uma casa e se mudou para lá. Recebemos o comunicado e fomos visitá-los na “casa nova”. Quando ali chegamos, olhei várias vezes para minhas anotações, tentando conferir o endereço. Os dados batiam, mas a casa parecia abandonada. Sendo muito honesto, fiquei horrorizado com as condições do lugar e não conseguia sequer imaginar como alguém poderia morar ali. Mas o pior é que eu não via como seria possível alterar aquele quadro.

Seis meses se passaram e, quando voltamos para visitá-los novamente, mal podíamos acreditar, pois a casa estava simplesmente espetacular! Como eles conseguiram fazer aquilo? Uma coisa é certa: a casa não ficou daquele jeito do dia para a noite. Aquela reforma envolveu trabalho duro, determinação e…

PLANEJAMENTO

   “Os planos nos fazem continuar quando queremos desistir; são os responsáveis por transformar sonhos em realidade”. Eles colocaram seus olhos fixos em um alvo, tomaram tempo para fazer um levantamento dos custos, da viabilidade para executar o projeto e foram atrás.

Como resultado, conseguiram algo que a maioria das pessoas (inclusive eu) achava impossível. Casamentos, como as casas, também implicam trabalho para serem construídos (ou reformados). Alguns na fachada, de uma massa aqui ou ali.

Outros precisam de uma reforma completa, desde os alicerces. Seja qual for a situação atual de seu casamento, gostaria de lhe passar a esperança de que marido e esposa, trabalhando juntos, podem fazer com que o relacionamento torne-se realmente compensador. Porém, é essencial que seja dito, apregoado, espalhado que, para atingir este alvo, é necessário planejamento! Planos são formas de tornar sonhos em alvos e, posteriormente, realizações. Planos são mapas, são coordenadas a serem seguidas, são manuais de instrução para a implementação. Os planos nos fazem continuar quando queremos desistir, nos mantêm na trilha quando somos tentados a tomar uma direção diferente. Os planos são os responsáveis por transformar sonhos em realidades.

Sejam quais forem os alvos estabelecidos em seu casamento – melhora na comunicação, mais entrosamento na área sexual, um maior compartilhamento da vida espiritual -, você deve seguir um método de organização para pensar de forma mais produtiva e canalizar suas energias. A vida é tão curta, passa tão rápido e, se não a direcionarmos, se não lhe dermos um rumo, ela certamente nos arrastará ao léu!

DICAS IMPORTANTES

   Veja algumas dicas de como convergir energia, inteligência e fé no sentido de trabalhar para que nossas vidas “dê certo”.

*Estabeleça prioridades – a menos que você seja excepcionalmente doado e discipulado, – provavelmente não conseguirá concentrar-se em mais do que quatro ou cinco objetivos ao mesmo tempo.

*Estabeleça seus alvos – e dê prioridade a eles. Decida, juntamente com seu cônjuge, quais os alvos mais importantes a serem perseguidos; depois os liste em ordem de prioridade.

*Seja específico – por exemplo, ser feliz no casamento faz parte de um plano de longo prazo. Tente, então, visualizar exatamente o que isso significa para você. Converse com seu cônjuge sobre quais ingredientes você considera fundamental em um casamento feliz. Olhe para outros casamentos e perceba o que você gosta e o que não gosta no relacionamento deles.

*Um casamento feliz implica – que o casal gaste mais tempo junto? Ter alguns fins de semana românticos por ano para o casal curtir junto é importante para você? Não desrespeitar um ao outro é um item em sua lista? Se o casal não tiver em mente uma imagem clara de seus alvos, é muito mais fácil que ambos fiquem frustrados.

*Faça uma tempestade cerebral – há muitas formas de se chegar a cada alvo estabelecido. Se você tirar algum tempo para fazer uma tempestade cerebral, vários caminhos e várias opções poderão ser levantados. Eu adotei o método de anotar tudo em um papel, listando todas as alternativas possíveis de ser atingido para se alcançar um determinado alvo.

*Arrebanhe informações – nesta fase, devem-se observar as várias alternativas e começar a tomar as decisões sobre a direção a ser tomada. É um tempo de pesquisa e de avaliação em termos de custo, tempo, energia e compromisso.

*Estabeleça prioridades depois de arrebanhar informações, passamos para a fase de anotar as opções em ordem de prioridade. Se formos pintar uma casa, não devemos começar a pintar todo o interior, mas começar com o cômodo mais utilizado, ou com aquele que está em pior situação. Da mesma forma, deve-se começar a trabalhar, no casamento, com um cômodo de cada vez.

*Desenvolva um plano – cada plano deve ser registrado. Separe um caderno, tome uma folha e escreva seu alvo em linguagem clara e objetiva. Em seguida, pegue um calendário e marque uma data viável para atingi-lo. Se achar dificuldade em determinar uma data, será preciso dividir este alvo de longo prazo em projetos menores, de curto prazo. Também é importante estabelecer uma data para avaliação do progresso feito.

*Comprometa-se – para conseguir atingir qualquer alvo, será necessário abrir mão de algumas coisas. Poderá ser preciso perder uma partida de futebol para pintar a casa e investir em seu casamento. Não será fácil, mas vale a pena pagar o preço. Uma forma excelente de comprometer-se com o bem estar de seu casamento é orando com seu cônjuge. Deus é quem nos capacita a realizar nossos sonhos e nos ajuda a serem as pessoas que devemos que devemos ser. Quando pedimos que ele nos dê força para atingir nossos alvos, estamos afirmando: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4. 13).

*Reforce seu compromisso – cada manhã, ao se levantar, reveja seus alvos e os reforce mentalmente. “Fique alerta e não permita que tentativas fracassadas levem à desistência do projeto; não se culpe por errar o alvo”. Seria interessante se você pudesse escrevê-lo em um cartão e deixá-lo em sua pasta ou bolsa. Cada vez que você se deparar com o cartão, se lembrará dos alvos. Se for um momento conveniente, releia-os e reafirme seu compromisso pessoal em atingi-los, pedindo orientação do Alto.

*Aprenda com as falhas – não é porque você estabeleceu seus alvos e está trabalhando para atingi-los que não estará mais sujeito a tentações. Fique alerta e não permita que tentativas fracassadas levem à desistência do projeto. Não fique se culpando por errar o alvo, pois será uma forma de dizer a si mesmo que não é capaz de atingi-lo.

Procure, então, encarar o erro, lembrando-se do que fez certo e colocando esta parte em perspectiva.

A seguir, reveja os motivos que levaram a estabelecer aqueles alvos e visualizarem conseguindo alcançá-los.

*Recompense-se – planeje uma recompensa para você e para seu cônjuge, ao conseguirem atingir uma meta – um jantar fora, uma saída de fim de semana, uma compra que ambos tenham sonhado. Cada vez que forem distraídos do alvo, diminuindo seu progresso, concentre-se na recompensa – não somente na imediata, mas na de longo prazo, que é o investimento em um relacionamento mais forte e mais afetuoso.

By Dale Hanson Bourke é presidente da Publishing Directions, empresa que oferece assessoria a autores de livros, em Washington D.C – EUA.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 21/01/2013 em MENSAGENS

 

Tags: ,

CELEBRANDO O ANO DO JUBILEU

Man-Blowing-Shofar-for-Rosh-Hashanah-Giclee-Print-C12350930Chamava-se ano do Jubileu aquele que vinha depois de sete anos sabáticos (Lv 25.8 a 11). Este 50º ano era anunciado pelo som de trombetas, feitas de pontas de carneiro, no 10º dia do mês tisri, o grande dia da propiciação. A terra, como no simples ano sabático, devia ficar sem cultura, sendo os frutos somente colhidos pelos pobres – mas o povo podia caçar ou ganhar o seu sustento de qualquer outro modo. A maneira completa como eram efetuadas estas disposições fez considerar o jubileu como um tipo do Evangelho (Is 61.2 – Lc 4.19). O fim moral e espiritual destes dias festivos manifesta-se com toda a clareza. Todo o propósito era unir o povo pelos laços de fraternidade, e separá-lo dos pagãos – e, além disso, conservavam-se na memória os passados benefícios de Deus. A santidade do Senhor era patente nas disposições do jubileu. O peso dos pobres era aliviado, a opressão e a cobiça eram reprimidas, e todos aqueles atos solenes ou eram uma figura das bênçãos do Evangelho, ou sugestivos, para o crente, das verdades que haviam de ser inteiramente reveladas e realizadas em Cristo. O propósito do jubileu era dar a todo israelita o direito de recuperar a terra, que havia sido concedida aos antepassados. As casas das cidades muradas não estavam sujeitas à lei do jubileu, embora uma casa pudesse ser remida dentro de um ano após a venda – mas as casas em conexão com a terra do país, e deste modo essenciais à cultivação do solo, não eram excetuadas, devendo então voltar aos antigos possuidores no ano do jubileu. E da mesma sorte as casas das cidades levíticas não eram isentas da lei do jubileu. A terra, porém, que as circundava, e a elas estava ligada, não podia ser objeto de nenhum negócio, visto que nunca podia ser vendida sob qualquer condição.

Um conhecimento mais exato e mais respeitoso do patrimônio comum entre cristãos e judeus “pode ajudar a compreender melhor alguns aspectos da vida e da Igreja”. O Jubileu, assim compreendido, diz respeito somente aos cristãos. Entretanto, ele se inserta no “Jubileu Judaico” do qual dão testemunho tanto a Torá escrita quanto a Torá oral. “E como a Torá oral, através da tradição rabínica, desenvolveu os dados da Torá escrita, adaptando-se às novas situações, assim a prática Cristã do Jubileu tem a sua origem no antigo Testamento e continua ao longo da História da Igreja”. (Tertio Milênio Adveniente, 11).  Vejamos alguns aspectos do jubileu bíblico e, sucessivamente, o seu desenvolvimento na tradição judaica e na experiência cristã.

|1.O JUBILEU NA BÍBLIA

1) O texto fundamental do Jubileu bíblico – está no Levítico 25,10: “Declarareis santo o quinquagésimo ano e proclamareis a libertação de todos os moradores da terra. Será para vós um jubileu: cada um de vós retornará a seu patrimônio, e cada um de vós voltará a seu clã.”  No ano do jubileu todos os servos ou escravos estavam em condições de obter a sua liberdade (Lv 25.39 a 46 – Jr 34.8 a 14). As terras do país, bem como as casas das cidades dos levitas, que haviam sido vendidas durante os precedentes cinquenta anos voltariam para os vendedores, a não ser o que havia sido consagrado a Deus, e remido (Lv 25.17 a 28 – 27.16 a 24), igualmente as terras hipotecadas haviam de ser libertadas sem ônus algum.

2) Importante notar que a teologia subentendida – neste versículo fundamental está ligada ao sábado e ao ano sabático. Este último, baseado no Levítico 25,2. (“Quando entrardes no país que eu vos darei, a terra deverá guardar o seu sábado consagrado ao Senhor”) se situa no leque dos sete anos, assim como o dia de sábado se situa na semana. “Existe um sábado desde o começo… e um sábado da terra… Da mesma forma como na sexta-feira à tarde nós interrompemos o trabalho cotidiano para servir ao Eterno durante uma jornada, assim em Israel, só em Israel, o povo judeu tem obrigação de restituir a terra a Deus, para significar que, em Israel, a terra pertence a Deus”. (Samson Raphael Hirsch, rabino alemão do século passado).

3) Existem outros textos sobre o ano sabático – (Êxodo 23, 10 ss; (Lv 25.10-15,28-33; 27.17-23; Nm. 36.4; Ne 10.32) que põem em evidência sobretudo o aspecto social desta instituição. Daí, o tríplice imperativo do Ano Jubilar: a restituição das terras, o perdão das dívidas e a libertação dos escravos.

4) Um significativo antecedente bíblico da reconciliação – ligada à superação de situações passadas é representado pela celebração do Jubileu, tal como está regulada no livro do Levítico (cap. 25). Numa estrutura social composta por tribos, clãs e famílias, inevitavelmente se criavam situações de desordem quando indivíduos ou famílias em condições difíceis tinham de “resgatarem-se” a si mesmas das próprias dificuldades, entregando a posse das terras ou casa, ou de servos ou filhos, àqueles que se encontrava em melhores condições que as suas. Semelhante sistema tinha como efeito que alguns israelitas acabavam por sofrer intoleráveis situações de dívidas, pobreza e escravidão, naquela mesma terra que lhes havia sido dada por Deus, em proveito de outros filhos de Israel. Tudo isto podia levar a que, por períodos mais ou menos longos de tempo, um território ou um clã caísse nas mãos de poucos ricos, enquanto o resto das famílias do clã acabava por se encontrar numa dada forma de dívida ou de servidão, como a de viver em total dependência dos mais abastados.

5) A legislação de Lv 25 constitui uma tentativa de inverter tudo – (de tal modo que se pode duvidar que alguma vez tenha sido plenamente posta em prática!). Convocava a celebração do Jubileu, de 50 em 50 anos, a fim de preservar o tecido social do povo de Deus e restituir a independência mesmo à mais pequena família do país. É decisiva para Lv. 25 a regular repetição da confissão de fé de Israel no Deus que libertou o Seu povo mediante o Êxodo: “Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos fez sair da terra do Egito, para vos dar a de Canaã, a fim de ser o vosso Deus.” (Lv 25.38, 42,45) A celebração do Jubileu era uma implícita admissão de culpa e uma tentativa de restabelecer uma ordem justa. Todo o sistema que alienasse qualquer israelita, outrora escravo, mas agora libertado pelo braço poderoso de Deus, vinha de fato desmentir a ação salvífica divina no Êxodo e através dele.

2 . O JUBILEU NA TRADIÇÃO JUDAICA

1) A tradição rabínica retomou e questionou as leis – referentes ao Ano Sabático e ao Ano Jubilar, desde a época pós-bíblica. Considerando-as como um todo, ela as viu como aplicáveis somente na terra de Israel. Entretanto, as exigências éticas e sociais subjacentes continuaram fundamentais para o Judaísmo da Diáspora.

2) Na terra de Israel continuou-se a observar o Ano Sabático – mas, por causa da situação política e das dificuldades concretas, os rabinos simplificaram as normas, considerando-as como de origem talmúdica, não bíblica.

3) Depois que os judeus retomaram o trabalho da terra – no século passado  voltaram à prática do Ano Sabático, mesmo que se trate de uma pequena minoria. No que se refere ao Ano Jubilar, a verdade é que jamais ele foi observado desde a época do segundo Templo.

4) A partir da criação do Estado de Israel – No de 1948, não somente foi devolvida a terra da promessa aos judeus, como se tem processado o reviver da língua hebraica e do judaísmo bíblico com todas as suas festas e ricas tradições religiosas, inclusive o Jubileu.

5) Pelas  raízes bíblicas e históricas comuns ao ano jubilar – seria de se desejar que cristãos e judeus, apesar da profunda diferença de interpretação do Jubileu, colaboremos uns com os outros em vista de um mundo mais justo. É por esta razão que, mesmo em se tratando de uma iniciativa cristã da CB Shalom Internacional, a celebração do Ano do Jubileu pode ser enriquecida pela presença dos nossos irmãos judeus, convidados a participar como hóspedes privilegiados entre os representantes da tradição histórica.

3.O JUBILEU NA EXPERIÊNCIA CRISTÃ

1) A libertação das vítimas e dos que sofrem – torna-se parte do mais amplo programa dos profetas bíblicos. O Dêutero-Isaías, nos Cânticos do Servo sofredor (Is 42.1-9; 49.1-6; 50.4-11; 52.13-53.12), desenvolve estas alusões à prática do Jubileu com os temas do resgate e da liberdade, do regresso e da redenção. Isaías 58 é um ataque contra a observância ritual que não olhe à justiça social, é uma exigência de libertação dos oprimidos (Is 58,6), centrada especificamente nas obrigações de parentesco (v. 7). Mais claramente, Isaías 61 utiliza as imagens do Jubileu para fazer o retrato do Ungido como arauto de Deus enviado para “evangelizar” os pobres, proclamar a liberdade aos prisioneiros e anunciar o ano da graça do Senhor. De modo significativo, é justamente este texto, com uma alusão a Isaías 58.6, que Jesus usa para apresentar a missão da sua vida e do seu ministério em Lucas 4.17-21.

2) A tradição neotestamentária reconhece e acolhe a prática – do jubileu judaico e vê a realização do seu conteúdo nas “palavras” e nas “obras” de Jesus, que, entrando um dia na sinagoga de Nazaré, solicitado a comentar a passagem da Torá que se acabava de proclamar, aplica a ele próprio as palavras de Isaías, apresentando-se como enviado de Deus, como aquele em que começa a tornar-se realidade a utopia jubilar: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e aos cegos a recuperação da vista: para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4.18-19).

3) No decurso do primeiro milênio – sucessivamente não há traços, na Igreja, da prática Jubilar. O Jubileu, como é celebrado na tradição Católica Romana, remonta a Bonifácio VIII, em 1300; consistia principalmente na prática da peregrinação; os cristãos iam a Roma, para visitar o túmulo dos apóstolos e pedir o perdão dos seus pecados.

4) Esta prática se repetiu com maior ou menor regularidade – a partir de 1300, diferenciando-se e distanciando-se da concepção judaica e priorizando o aspecto das “indulgências” e da “peregrinação”. Entre todos os Jubileus do passado, o que João Paulo II chama “o Grande Jubileu” do ano 2000 se reveste de uma importância particular, sobretudo pelo desejo de conversão e de autocrítica com que a Igreja católica celebrou. “Ela não pode transpor o limiar do novo milênio sem estimular os seus filhos a se purificar, a arrepender-se dos erros, das infidelidades, das incoerências, das lentidões”. (Tertio Millenio Adveniente, 33).

5) Tempos de restauração apostólico-proféticos –  A restauração do mundo ou a realização das promessas messiânicas.  A afirmação segundo a qual o ano jubilar pede a instauração da era messiânica, com o fim de todos os sofrimentos e de toda a violência. Se, por um lado, esta época se apresenta como um futuro cada vez mais longínquo, calculado pelo ritmo dos milênios que precederão o ano jubilar do quinquagésimo milênio, por outro lado coincide mais exatamente com a volta às origens, com a realização do projeto de Deus sobre a terra.

4. O QUE DEVEMOS FAZER NO ANO DO JUBILEU

Na teologia do Ano Jubilar se concentra uma multiplicidade de temas bíblicos e espirituais que sempre alimentaram e continuam a alimentar a vida do povo de Deus.

1) A impossibilidade de possuir a terra – A afirmação de que é impossível possuir a terra. Cumprindo o Shabbat, a terra impede ao homem de possuí-la; recusa uma relação de submissão e se opõe à pretensão do homem de reduzi-la a um objeto de dominação.

2) O Plano soberano de Deus –  Da afirmação de que Deus é o Senhor e Criador da terra se deduz que o homem não pode ter essa função. “A terra me pertence e vós não sois para mim mais que estrangeiros e hóspedes.” (Lv 25.23). Logo, na terra da qual Deus é o único e legítimo dono, o homem é um “estrangeiro”, um “inquilino”, no sentido de que ele é o “hóspede” de Deus.

3) A gratuidade da graça salvadora –  A afirmação de que o homem vive em uma terra que não é dele, mas de Deus, mostra que ele é um objeto de uma gratuidade ou graça, isto é, do amor desinteressado de Deus: “A terra dará seu fruto: comê-lo-eis com fartura e habitareis em segurança. Se disserdes: ´Que comeremos neste ano se não semearmos e não colhermos os nossos produtos?´- eu estabeleço a minha bênção no que colherdes no sexto ano, de modo que vos garanta produtos por três anos” (Lv 25.19-21).

4) A justiça do Reino –  A afirmação de que a terra é um dom de Deus para as necessidades da pessoa humana, dá a entender que ela é de todos e para todos; e o esforço de monopólio que negue ou bloqueie este destino universal é pecado contra Deus e contra o próximo. A justiça, coração da mensagem bíblica e, sobretudo profética, consiste em reconhecer o amor gratuito de Deus no mundo e a cooperar com ele fazendo da justiça o seu próprio modo de ser e de agir. Por isso, segundo o profeta, é “da justiça”, isto é, da ação justa que nasce a a paz, a plenitude dos bens para toda a humanidade (Is 32.15-20).  Isso indica o fim da desigualdade e da justiça. A afirmação de que a terra pertence a Deus e que todas as formas de exploração devem desaparecer, as que dizem respeito aos bens da terra e, sobretudo as que se referem ao homem nos enfrentamentos com o seu semelhante.

5) O perdão incondicional –  A afirmação segundo a qual o Ano Jubilar reclama e exige o perdão, coincidindo o seu início com a celebração do “Yom Kippur”, a grande festa da reconciliação: “No décimo dia do mês sétimo, fareis vibrar o toque da trombeta; no dia das Expiações, fareis soar a trombeta em todo o país” (Lv 25.9). O Ano Jubilar institui a possibilidade de um novo início, porque ele rompe não somente com o determinismo das desigualdades sociais, mas com a própria culpa individual. Tudo isso aponta para a missão messiânica do cristão e da Igreja.

5. PISTAS PARA UMA AÇÃO CELEBRATIVA DO JUBILEU

1) A Bíblia nos ensina que os bens do mundo não nos pertencem – que eles nos são confiados por Deus: quais são as consequências, para nós, ao fazer uso desses bens?

2) O termos “libertação” pode ter sentidos diversos – quais são os conceitos mais significativos para nós, hoje, individual e coletivamente, para “libertar-nos” e para “libertar”?

3) Em que consiste, hoje, a justiça social –  Onde situar as formas de injustiça social na sociedade, na Igreja nos bairros, na paróquia, no ambiente de trabalho e na família? Fazer algumas propostas concretas que permitam “fazer justiça”, pelo menos a uma pessoa, ou inserir-se em uma situação específica.

4) O ano jubilar está ligado ao sábado –  ao dia de repouso que nos liberta do trabalho e do “ativismo”. Como celebrar melhor o domingo e os dias de festa, para ser verdadeiramente livres: para nós, para os outros e para o Senhor?

5) A Violência Humana  e a solução dos conflitos – desafiam-nos a desenvolver técnicas de intermediação? Qual a contribuição específica da tradição Judeu-Cristã para construção da paz?

Apóstolo Jota Moura/Boston 28 de Dezembro 2007

 
Deixe um comentário

Publicado por em 21/01/2013 em MENSAGENS

 

Tags: , , ,

SUBINDO COM ASAS DE ÁGUIA

Bald Eagle in Flight“Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos certamente cairão. Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” (Isaías 40.30-31).

O profeta Isaías pergunta no capítulo 40. 28-29: “Não sabes, não ouviste que o Eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa e nem se fatiga? Não há esquadrinhação de Seu entendimento. Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”.

Nesta mensagem, temos primeiramente o profeta apelando para o pensamento familiar da imutabilidade de Deus como o antídoto para a doença da alma chamada “desânimo” que é muito comum nos jovens. Geralmente o jovem desanimado com a vida fica prostrado, caído, exausto e desalento. O profeta aponta para a solução deste problema que é o próprio Deus Criador de todas as coisas. Ele é a fonte de energia inesgotável. Aqueles jovens que estão caídos e desanimados poderão “esperar no Senhor” e certamente “renovarão as suas forças” espirituais, e “subirão com asas como águias”.

O profeta está falando aqui de uma juventude imortal. Deus nunca envelhece. Deus é sempre jovem eternamente!  “A vida dos homens e das criaturas é como um rio, com uma fonte, um curso e um fim. A vida de Deus é semelhante a um oceano, com sua jovial e alegre maré em movimento, e correntes de vida, energia e propósito, mas sempre e eternamente retornando sobre si mesmo. Deus, Jeová, o Criador do universo, é uma Fonte Eterna de poder, vida e energia espiritual. Ele é a Fonte imutável, inesgotável. Deus gasta, gasta sua energia e nunca fica desgastado. Deus tem sempre novas reservas de energia. Deus não fica cansado, abatido, fraco e desanimado como muitos jovens ficam. Deus renova diariamente as Suas Forças, o Seu Poder e a Sua Vida Eterna. Deus trabalha, trabalha, mas nunca fica cansado, estressado, como os homens trabalhadores. Deus não precisa de sono, comida, ou férias para repor as energias.  Deus vive, vive, eternamente, e não possui nenhuma tendência de morte, de extinção, ou envelhecimento. O segredo da juventude está em viver a vida de Deus aqui na terra hoje! O apóstolo Paulo, falou desta realidade espiritual na vida do cristão quando disse: “Por isso não desanimamos: mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova dia a dia” ( 2 Cor. 4.16).

Viver na dimensão das águias é meditar na Palavra de Deus, dia e noite, a fim de prosperar e ser bem sucedido como Josué – (Josué 1.8).

“A palavra hebraica “TIÇALÉIA” significa “ser próspero, Ter sucesso, e ser promovido”. A Águia é símbolo de sucesso, ascensão, promoção, prosperidade. A Águia desfruta de um sucesso impressionante”. É por isso que os Reis na antiguidade tomavam a águia como símbolo de sua realeza. E grandes impérios durante a história da humanidade tomaram a águia como símbolo de sua realeza e domínio sobre as nações do mundo.

A Águia “dia a dia procura as alturas”! Ela sabe que o espaço disponível para voar é imenso e sua capacidade de voar é extraordinária. As Águias são pessoas desprendidas daquilo que é terreno, inferior, material, medíocre, e mesquinho.

Quem, pois são as Águias de Deus que sobem com asas como de águias às alturas?

“São vidas conscientes da realidade espiritual, responsáveis, comprometidas com a causa do Reino de Deus, entrelaçadas no amor e na fidelidade com Deus.”

São pessoas que apesar de todas as circunstâncias negativas contra suas vidas, ousam voar assim mesmo, ousam viver pela fé como os heróis da fé de Hebreus, capítulo onze. Os heróis da fé são Águias de Deus!

“Por meio da fé subjugaram reinos… da fraqueza tiraram forças” (Hb. 11.33-34).

Precisamos de mais Águias como estas pessoas, que vêem na fraqueza Fonte de Forças para subir com asas de Águias até a presença de Deus!

A Águia tem uma visão forte. Ela vê de longe o futuro com os olhos da fé. Diante das dificuldades, dos fracassos, e circunstâncias contrárias, a Águia de Deus se renova na fé e confessa: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fil. 4.13).  O apóstolo Paulo fez esta confissão estando na prisão de Roma, esperando a sentença de morte do Imperador. A Águia de Deus mesmo na prisão ela é invencível! A Águia tem visão ilimitada do poder de Deus.  Ela consagra a sua vida ao Senhor como um ato de fé na Sua Palavra. Vivem pela fé. Agem com uma visão de Águia, não importa o tempo, ela quer voar! “Se prenderem ela numa gaiola, ela voa com gaiola e tudo!”.

As Águias são pessoas com a capacidade de crer que Deus é Fiel em todas as suas promessas!”

Vale a pena voar acima dos montes com Deus!  Vale a pena voar acima das tempestades com Deus!

A pessoa que tem fé verdadeira em Deus, seu coração é como o vôo das águias, é alto, rápido, impetuoso! Seu coração é cheio de amor a Deus e ao próximo.

Quando você confessa seus pecados a Deus, e deixa-os, seu coração fica mais leve do que as penas de uma águia!

“Se andarmos na luz como Ele está, temos comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo seu Filho nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7). A águia é um pássaro diurno, ela só voa durante o dia, na luz do sol. Ele sobe ao céu olhando para o sol, contemplando a luz.  É na luz que a Águia se revela.

Quando o Espírito Santo trás a revelação da Palavra de Deus ao nosso coração, nosso coração parece receber o poder de se elevar-se nas alturas como se fosse o vôo de uma Águia!  Deus se manifesta a nós como Águia (Deuteronômio 32.11-12).

As Águias de Deus são cristãos corajosos, ousados e profundos! São os filhos do Reino. Eles detestam viver na superfície da vida religiosa, monótona e rotineira. Eles voam nas alturas e penetram nas profundezas celestiais em Deus!

Os filhos do Reino são “ligeiros como a Águia e fortes como o Leão” (2 Sm. 1.23b).

“A Águia possui garras poderosas; plumagem cheia de beleza; seu vôo é alto, rápido, e impetuoso. Seus olhos são penetrantes, ela é capaz de rasgar os céus com sua visão; para a Águia o céu tem que ser conhecido e conquistado o mais rápido possível!”.

Sua visão é sempre os céus! Seu desejo é sempre renovar-se! É possível ser algo mais! É possível ser melhor! É preciso ser Águia de Deus! (Veja Ez. 17.3; Dt. 28.49; Ap. 4.7; 2 Sm. 1.23; Dt. 32.11-12; Jó 39.27; Jr. 49.16; Pr. 30.19; Is. 40.31).

O Senhor Jeová disse em Êxodo 19.4 aos filhos de Israel: “… como vos levei sobre asas e águias, e vos cheguei a mim…”.

Águia é a rainha das alturas infinitas. É tempo de aprender a conquistar os céus. A Águia soberana do universo vai agitar o ninho violentamente… Jogará na amplidão os filhotes… Que debateram desvalidos… Até que chegue o dia de voar sozinhos!

Tenha postura de Águia, coragem e ousadia. Uma águia não aceita o “comodismo” do ninho para seus filhotes, ela não os trata com superproteção, mas lança os filhotes fora do ninho, para desenvolverem a confiança, a competência e o domínio próprio.

Ser Águia é Ter perspectiva de vida…

É acreditar no impossível…

É lutar por ideais, e nunca desistir…

É querer vencer, e desejar ser o melhor.

E estar com os melhores…

Ser Águia é esperar no Senhor…

E renovar as suas forças

Ser Águia é querer ser diferente,

É desejar fugir da mesmice,

É querer ser simplesmente alguém especial.

Jesus Cristo é a Águia Maior!  A Águia Melhor!

Fuja da mediocridade e da superficialidade da vida,

Voando nos espaços profundos que só as Águias podem alcançar!

Voemos alto, rasguemos os céus, no rumo de Deus, para junto de Deus…

Viva uma vida escondida de Cristo em Deus…

Buscai as coisas lá do alto onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai…

Você pode fazer isto! Você é Águia de Deus!

A Bíblia fala de diversos tipos de Águias que vivem na Palestina:

Águia “abutre de grifo” – Jó 39.27-30. Possui uma grande visão. Força de vista. Visão que vê longe sua presa, seu alimento.

A Águia tem forças nas suas garras, vôo rápido – Jeremias 4.13

A Águia tem longevidade e rejuvenescimento – Salmo 103.5.

A Águia de ouro, Águia Imperial ou Real, reina nas alturas!

Águia Quebrantoso, ou Quebra Ossos – Levítico 11.13. Esta espécie de águia toma a ossada que restou do animal e leva nas alturas acima de uma rocha e deixa a mesma cair sobre a rocha para quebrar os ossos, e depois ela desce,  e come o tutano que está dentro dos ossos.

A Águia pega a serpente através de suas garras potentes, domina-a, mata, e se alimenta dela. A Águia é símbolo místico de vitória sobre a serpente, isto é, da justiça da lei sobre o mal.

A Águia voa perto do céu – conquista o céu – por isso é símbolo do evangelho de João. O apóstolo é chamado também de “Águia de Patmos”, a ilha onde ele foi elevado ao céu como uma Águia e recebeu a revelação do Senhor Jesus (Apocalipse 1.1-4).

O Senhor Jeová, o Deus Criador é o nosso Pai Celestial, Ele quer nos carregar com Asas de Águia… Renovar as nossas forças como a da Águia… Ele quer que você viva na dimensão das Águias… Você é Águia de Deus!

LEÔNCIO R. LANÇA

 
Deixe um comentário

Publicado por em 21/01/2013 em MENSAGENS

 

Tags: , , , , ,

PAZ NA GUERRA

obama-guerra-e-paz “Vindo, pois, Urias a Ele, perguntou Davi como passava (Shalom) Joabe, e como estava (Shalom) o povo, e como ia (Shalom) a Guerra” (II Samuel 11.7).

Urias era um importante oficial do exército de Davi. Era um dos 37 valentes de Davi. Era um guerreiro fiel e corajoso. Urias (Uwriyah) em hebraico significa “Jeová é a minha luz”. Israel estava em guerra contra os amonitas e o rei Davi mandou chamar Urias e quando ele chegou lhe fez três perguntas: Há paz (shalom) no coração de Joabe, o general do exército? Há paz (shalom) no coração do povo, nos soldados do exército? Há paz (shalom) na Guerra?

UMA EXPRESSÃO PARADOXAL

    Há uma expressão paradoxal em II Samuel 11.7. O rei Davi pergunta pela “Paz” (Shalom) na Guerra! Há Paz na Guerra? Em outras palavras: Há prosperidade na Guerra? Há bons relacionamentos entre os soldados na Guerra?

“Shalom”  em hebraico significa ser “inteiro, completo, próspero, feliz, saudável, paz, bons relacionamentos”. Shalom não é apenas um termo estático, mas dinâmico: é ter uma vida feliz e abundante.

Para que uma Guerra seja bem sucedida o General, os seus oficiais, e seus soldados precisam estar cheios de “Shalom” no interior de seus corações. Todo o exército precisa estar em paz interior, feliz, saudável, e com bons relacionamentos uns com os outros. Um exército que sai para a Guerra, mas não têm Paz (Shalom) no seu interior, certamente não triunfará na Guerra!

O EXÉRCITO DE DEUS

   Shalom, portanto, significa prosperidade, passar bem materialmente e espiritualmente falando, tanto o indivíduo como a comunidade. Êxodo 18.23 diz: “Se isto fizeres, e assim Deus to mandar, poderás, então, suportar; e assim também todo este povo tornará em paz ao seu lugar”. O povo de Deus forma o exército de Deus. O povo de Deus precisa “tornar em paz para seu lugar”, e “andar em paz”, “viver em paz”, a fim de enfrentar as guerras diárias da vida. Para enfrentarmos as guerras do dia a dia precisamos estar em “paz-shalom”, isto é, precisamos estar bem materialmente e espiritualmente, felizes e prósperos!

A “Paz-Shalom” é desejada e buscada por Israel e Jerusalém (Sl. 76,122,127).

“Shalom” significa boas relações entre pessoas, famílias, igrejas e povos (2 Sm. 3.20).

“Shalom” é o bom relacionamento entre o marido e a mulher no matrimônio (Cantares 2.4).

“Shalom”  é o bom relacionamento entre o homem e Deus (Rm. 5.1).

Portanto, a noção hebraica de Paz-Shalom,  não se opõe à noção de Guerra, pois uma Guerra bem sucedida é “Shalom”! (II Sm. 11.7). É por isso que o rei Davi perguntou se “há paz  (shalom) com Joabe (o general do exército de Israel), se há paz (shalom) com os soldados, e se há paz (shalom) na guerra!

A IGREJA NA GUERRA

   “Nós, a Igreja do Senhor, como Comunidade do Reino de Deus na terra,  pode estar em guerra contra os inimigos, mas a Paz-Shalom de Deus tem que estar dentro de nós! Caso contrário, não ganharemos a Guerra!

   “A Paz tem que estar dentro de nós, mas a Guerra tem que estar fora de nós!”

A Paz-Shalom tem que estar  reinando dentro dos corações da liderança da Igreja, que são os oficiais, e dentro dos corações dos membros que são os soldados. A Paz do Senhor que é “Shalom” de Deus, tem que prevalecer dentro da Guerra!

O povo de Deus faz Guerra para alcançar a Paz (Shalom), a Paz não vem sem luta! É  necessario fazermos a Guerra para expulsarmos os inimigos que infiltraram dentro da Comunidade, é necessário limpar a Casa e colocar as coisas em ordem!

A Guerra  é tudo que pode perturbar a prosperidade e as boas relações que a Paz (Shalom) nos proporcinona no Reino de Deus.

A Guerra que hoje enfrentamos na Comunidade do Reino é necessária para neutralizar as ações pertubadoras e destrutivas dos inimigos, e reestabelecer novamente a prosperidade e as boas relações entre os irmãos. Ninguém tem o direito de nos tirar a Paz-Shalom que uma vez nos foi dada pelo Senhor. Ninguém tem o direito de nos tirar a nossa herança que o Senhor nos deu no Seu Reino.

Os capítulos 10 e 11 de II Samuel nos relata que o rei Davi fez oito (8) Guerras contra as nações inimigas ao redor das fronteiras de Israel a fim de estabelecer a Paz (Shalom) e a prosperidade no reino de Israel.

O capítulo 11 de II Samuel nos mostra os erros que o rei Davi cometou na Guerra contra os Amonitas:

   “Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, com ele, e a todo o exército de Israel, que destruíram os filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém” (II Sm. 11.1). O tempo em que os reis costumavam sair à guerra é o mês de Nisã (mês de Março), quando termina o inverno e o período chuvoso na palestina e inicia a primavera. Nesta época acontece o solstício, quando a luz do sol divide ao meio a linha do equador e os dias se tornam iguais às noites com 12 horas de duração cada um. Este é um tempo apropriado para campanhas militares. (O solstício acontece em 20 de Março, quando inicia a primavera para o Norte, e 22 de Setembro quando começa a primavera para o Sul).

OS ERROS DE DAVI NESTA GUERRA

O primeiro erro do rei Davi: “no tempo em que os reis costumavam sair para a guerra”, Davi ficou em “casa” no seu palácio em Jerusalém.

O segundo erro do rei Davi: “em uma tarde, levantou-se Davi de sua cama”, (verso 2), era tempo de Guerra e o rei Davi estava dormindo em seu leito. Hoje é tempo de guerra e muitos irmãos estão dormindo “em casa” ou na “igreja”.

O terceiro erro do rei Davi: “levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real” (verso 2); era tempo de Guerra e Davi andava passeando… Hoje é tempo de Guerra na Comunidade e muitos irmãos andam passeando…

O quarto erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, mas “do terraço do palácio viu Davi uma mulher muito bonita tomando banho” (verso 2), na casa do vizinho ao lado. É tempo de Guerra na Igreja, mas muitos irmãos estão indo nos cultos para ver mulheres bonitas!

O quinto erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, mas o rei Davi mandou que trouxessem a mulher bonita (Bate-Seba), mulher casada, e levou ela para a cama… (verso 4).

O sexto erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, mas o rei Davi estava engravidando uma mulher casada, a mulher de Urias, um de seus melhores oficiais do exército (verso 5).

O sétimo erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, e Davi tentava encobrir o seu pecado; ele mandou chamar Urias do campo de batalha, e mandou-lhe ir para casa, na tentativa de Urias ter relações sexuais com sua mulher Bate-Seba, para que a gravidez parecesse ser de Urias e não de Davi (versos 6 a 13).

O oitavo erro do rei Davi: como o plano “A” de madar Urias para casa, para deitar com sua mulher, falhou, pois Urias era um soldado fiel às leis de guerra, guardando a disciplina e renuncia militar às relações sexuais em tempo de guerra, então Davi colocou em ação o plano “B”, assassinar Urias! (versos 6-13). Davi enviou uma carta a Joabe pelas mãos do próprio Urias onde dizia: “Ponha Urias na linha de frente e deixe-o onde o combate estiver mais violento, para que seja ferido e morra” (verso 14). Urias, um fiel oficial do rei, foi portador sem saber, da sua própria sentença de morte!

O nono erro do rei Davi nesta Guerra: A operação militar que o rei Davi mandou o General Joabe fazer para matar Urias, não só matou Urias mas matou também outros oficiais valentes da Guarda Especial do Rei (versos 16-17).

O décimo erro de Davi: Quando o rei Davi recebeu o relatório completo sobre a batalha (verso 18), o rei Davi filosofou sem se importar com a morte de seus oficiais valentes, pois o importante é que Urias estava morto e ele aliviado do seu pecado, o rei então mandou no mensageiro dizer a Joabe: “Não fique preocupado com isso, pois a espada não escolhe a quem devorar” (verso 25).

O décimo primeiro erro de Davi: Davi esperou passar sete dias de luto que Bate-Seba guardou pela morte de seu marido, e depois mandou seus servos buscá-la para ser mais uma mulher de seu harém que já possuia diversas mulheres (verso 26). Este curto espaço de tempo, sete dias, para tomar a bonita viúva como sua mulher, denuncia as pretenções do rei desde o início de sua trama criminosa. Com esta sucessão de erros Davi foi se degradando e afundando cada vez mais na depravação do pecado, até chegar ao fundo do poço. Seu coração se endureceu e se tornou insensível pela prática do pecado. E o verso 26 termina com esta frase: “Mas o  que Davi fez desagradou o Senhor”.

Assim Davi realizou oito guerras para conquistar a Paz (Shalom) para seu reino em Israel. A Paz-Shalom é um Dom de Deus (Sl. 29.11; Is. 26.12). Mas não se alcança a Paz-Shalom de Deus sem lutas contra os inimigos. A Paz custa um preço, e às vezes um alto preço.

Jeová, o Deus Vivo e Verdadeiro de Israel concedeu a Paz-Shalom ao povo como uma virtude da Aliança com Ele (Números 25.12).

Só tem Paz-Shalom quem está em Aliança com o Senhor e com seus irmãos!

Não adianta você comprimentar um irmão com “Shalom!” se ele não está em Aliança com você no Reino de Deus!

Não adianta você saudar o irmão com “a paz do Senhor” se ele não tem paz com você no interior do seu coração: “Não me arraste com os ímpios… os quais falam de paz, porém no coração têm perversidade” (Sl. 28.3). Ele diz “Paz no Senhor”, mas ele não está na Paz do Senhor! No interior do seu coração há guerra declarada contra você!

A Paz é uma Benção do Senhor. Deus ordenou aos sacerdotes que abençoassem o seu povo Israel com a benção da Paz-Shalom na chamada benção sacerdotal – (Nm. 6.22-26). Em tempos de Guerra os sacerdotes e profetas eram chamados para abençoar o exército de Israel antes de enfrentar os inimigos no campo de batalha: “Então o Espírito do Senhor veio sobre sobre Jaaziel… e Ele disse: Escutem, todos que vivem em Judá e Jerusalém… não tenham medo deste exército enorm. Pois a batalha não é vossa, mas de Deus… Vocês não precisaram lutar nessa batalha. Tomem posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes dará.. não tenham medo e nem desanimem… (2 Crônicas 20.14-17). O exército de Israel marcha debaixo de uma palavra profética de vitória!

Se Israel for fiel à Aliança do Senhor, então gozará de Paz-Shalom, mas se Israel quebrar a Aliança, Deus lhe tirará a Paz-Shalom, mas se Israel se arrepender e voltar para o Senhor Jeová, então o Senhor fará sua Paz-Shalom voltar novamente sobre Israel (Levítico 26).

O Messias é o Príncipe da Paz (Is. 9.6), mas esta Paz-Shalom não se realizará sem luta (Joel 3.9 ss). Entretanto, o próprio Senhor Jeová é o General de Guerra (Êx. 15.3; Is. 42), Ele lutará e porá fim à guerra e trará a Paz-Shalom sobre seu povo. E a Paz-Shalom não terá fim no Reino de Deus (Is. 9.6).

A PAZ NO NOVO TESTAMENTO

   No N.T. a Paz é característica do Reino Messiánico de Cristo: Lc. 1.78, 2.14. Os setenta discípulos devem levar uma mensagem de Paz (Shalom). O próprio Senhor Jesus trás a Paz (João 14.27), embora a Paz não se realize sem luta (João 16.33). Cristo, o Messias é o Príncipe da Paz, mas traz a ESPADA (Mt. 10.34) e “os inimigos do homem serão os da sua própria família” (Mt. 10.36). A Espada do Espirito é a Palavra de Deus (Efésios 6.17).  Cristo Unge a Sua Palavra e faz fluir em nosso meio, desencadeiando uma verdadeira Guerra no mundo espiritual!

A Igreja do Senhor Jesus Cristo vive tempos de Guerras sobre a face da terra, por isso Paulo recomenda aos soldados Cristãos que “Vistam toda a armadura de Deus” (Efésios 6.10-20). A Igreja precisa se preparar para a Guerra e ficar firme contra as ciladas dos Diabo, “pois nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas” (Ef. 6.12).

A Igreja não religiosa, que está vivendo no dimensão do Reino de Deus, experimenta a Espada do Espírito, a Palavra Viva, que provoca ódio nos inimigos do reino e nos carnais, por isso eles se unem para perseguir e ameaçar os filhos do Reino com mentiras, calúnias, difamações e guerrilhas. Os Cristãos Primitivos oraram ao Senhor dizendo: “…agora, Senhor, olha para as suas ameaças (as ameaças de nossos inimigos), e concede aos teus servos que anunciem com toda intrepidez a tua Palavra” (Atos 4.29).

A Comunidade Primitiva Cristã crescia e se multiplicava com Paz-Shalom (Atos 9.31); entretanto Paulo diz em 2 Cor. 7.5 que havia lutas: “Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas for fora, temores por dentro”. Há momentos que as guerrilhas ficam acirradas na Igreja do Senhor: e então experimentamos “lutas por fora e temores por dentro”. Há tempos de Guerra na Igreja que enfrentamos “conflitos externos e temores internos”. A Guerra na Comunidade  é às vezes como um delicado jogo de xadres. Temos que saber que arma usar, quando usar e onde usar. Temos que aprender a desarmar “minas terrestres”, que são bombas que podem explodir a qualquer momento debaixo de nossos pés. Porque o campo é muitas vezes “ minado” e contaminado pelo inimigo.

A Igreja que permanece firme seguindo seus líderes espirituais nos tempos de conflitos, lutas, guerras e guerrilhas, experimentará sem dúvida um tempo novo de conquistas, crescimento e multiplicação. Deus é fiel, Ele recompensa nossos esforços e nossas lutas. “Pois quem fez a promessa é Fiel” (Hb. 10.23).

O Apóstolo Paulo elabrou idéias proféticas sobre Cristo, o Messias, como o Príncipe da Paz de Deus. Deus é o Deus da Paz- Rm. 15.33: “O Deus da Paz, o Deus da Shalom seja com todos vocês” (Rm. 15.33). “Em breve o Deus da Paz (o Deus da Shalom) esmagará Satanás debaixo de vossos pés” (Rm. 16.20). O Deus da Paz é também o Deus da Guerra. Deus dá Paz ao seu povo, mas dá Guerra aos seus inimigos e a Satanás!

Jesus Cristo é a nossa Paz-Shalom (Ef. 2.14). A Paz-Shalom é Fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22). Cristo promove a Paz pelo Sangue da Eterna Aliança (Hb. 13.20). Portanto, a Paz-Shalom assim estabelecida é um Dom de Deus. Amém! Shalom Adonay!

LEÔNCIO R. LANÇA

 
Deixe um comentário

Publicado por em 20/01/2013 em MENSAGENS

 

Tags: , ,