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PAZ NA GUERRA

20 jan

obama-guerra-e-paz “Vindo, pois, Urias a Ele, perguntou Davi como passava (Shalom) Joabe, e como estava (Shalom) o povo, e como ia (Shalom) a Guerra” (II Samuel 11.7).

Urias era um importante oficial do exército de Davi. Era um dos 37 valentes de Davi. Era um guerreiro fiel e corajoso. Urias (Uwriyah) em hebraico significa “Jeová é a minha luz”. Israel estava em guerra contra os amonitas e o rei Davi mandou chamar Urias e quando ele chegou lhe fez três perguntas: Há paz (shalom) no coração de Joabe, o general do exército? Há paz (shalom) no coração do povo, nos soldados do exército? Há paz (shalom) na Guerra?

UMA EXPRESSÃO PARADOXAL

    Há uma expressão paradoxal em II Samuel 11.7. O rei Davi pergunta pela “Paz” (Shalom) na Guerra! Há Paz na Guerra? Em outras palavras: Há prosperidade na Guerra? Há bons relacionamentos entre os soldados na Guerra?

“Shalom”  em hebraico significa ser “inteiro, completo, próspero, feliz, saudável, paz, bons relacionamentos”. Shalom não é apenas um termo estático, mas dinâmico: é ter uma vida feliz e abundante.

Para que uma Guerra seja bem sucedida o General, os seus oficiais, e seus soldados precisam estar cheios de “Shalom” no interior de seus corações. Todo o exército precisa estar em paz interior, feliz, saudável, e com bons relacionamentos uns com os outros. Um exército que sai para a Guerra, mas não têm Paz (Shalom) no seu interior, certamente não triunfará na Guerra!

O EXÉRCITO DE DEUS

   Shalom, portanto, significa prosperidade, passar bem materialmente e espiritualmente falando, tanto o indivíduo como a comunidade. Êxodo 18.23 diz: “Se isto fizeres, e assim Deus to mandar, poderás, então, suportar; e assim também todo este povo tornará em paz ao seu lugar”. O povo de Deus forma o exército de Deus. O povo de Deus precisa “tornar em paz para seu lugar”, e “andar em paz”, “viver em paz”, a fim de enfrentar as guerras diárias da vida. Para enfrentarmos as guerras do dia a dia precisamos estar em “paz-shalom”, isto é, precisamos estar bem materialmente e espiritualmente, felizes e prósperos!

A “Paz-Shalom” é desejada e buscada por Israel e Jerusalém (Sl. 76,122,127).

“Shalom” significa boas relações entre pessoas, famílias, igrejas e povos (2 Sm. 3.20).

“Shalom” é o bom relacionamento entre o marido e a mulher no matrimônio (Cantares 2.4).

“Shalom”  é o bom relacionamento entre o homem e Deus (Rm. 5.1).

Portanto, a noção hebraica de Paz-Shalom,  não se opõe à noção de Guerra, pois uma Guerra bem sucedida é “Shalom”! (II Sm. 11.7). É por isso que o rei Davi perguntou se “há paz  (shalom) com Joabe (o general do exército de Israel), se há paz (shalom) com os soldados, e se há paz (shalom) na guerra!

A IGREJA NA GUERRA

   “Nós, a Igreja do Senhor, como Comunidade do Reino de Deus na terra,  pode estar em guerra contra os inimigos, mas a Paz-Shalom de Deus tem que estar dentro de nós! Caso contrário, não ganharemos a Guerra!

   “A Paz tem que estar dentro de nós, mas a Guerra tem que estar fora de nós!”

A Paz-Shalom tem que estar  reinando dentro dos corações da liderança da Igreja, que são os oficiais, e dentro dos corações dos membros que são os soldados. A Paz do Senhor que é “Shalom” de Deus, tem que prevalecer dentro da Guerra!

O povo de Deus faz Guerra para alcançar a Paz (Shalom), a Paz não vem sem luta! É  necessario fazermos a Guerra para expulsarmos os inimigos que infiltraram dentro da Comunidade, é necessário limpar a Casa e colocar as coisas em ordem!

A Guerra  é tudo que pode perturbar a prosperidade e as boas relações que a Paz (Shalom) nos proporcinona no Reino de Deus.

A Guerra que hoje enfrentamos na Comunidade do Reino é necessária para neutralizar as ações pertubadoras e destrutivas dos inimigos, e reestabelecer novamente a prosperidade e as boas relações entre os irmãos. Ninguém tem o direito de nos tirar a Paz-Shalom que uma vez nos foi dada pelo Senhor. Ninguém tem o direito de nos tirar a nossa herança que o Senhor nos deu no Seu Reino.

Os capítulos 10 e 11 de II Samuel nos relata que o rei Davi fez oito (8) Guerras contra as nações inimigas ao redor das fronteiras de Israel a fim de estabelecer a Paz (Shalom) e a prosperidade no reino de Israel.

O capítulo 11 de II Samuel nos mostra os erros que o rei Davi cometou na Guerra contra os Amonitas:

   “Decorrido um ano, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, com ele, e a todo o exército de Israel, que destruíram os filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém” (II Sm. 11.1). O tempo em que os reis costumavam sair à guerra é o mês de Nisã (mês de Março), quando termina o inverno e o período chuvoso na palestina e inicia a primavera. Nesta época acontece o solstício, quando a luz do sol divide ao meio a linha do equador e os dias se tornam iguais às noites com 12 horas de duração cada um. Este é um tempo apropriado para campanhas militares. (O solstício acontece em 20 de Março, quando inicia a primavera para o Norte, e 22 de Setembro quando começa a primavera para o Sul).

OS ERROS DE DAVI NESTA GUERRA

O primeiro erro do rei Davi: “no tempo em que os reis costumavam sair para a guerra”, Davi ficou em “casa” no seu palácio em Jerusalém.

O segundo erro do rei Davi: “em uma tarde, levantou-se Davi de sua cama”, (verso 2), era tempo de Guerra e o rei Davi estava dormindo em seu leito. Hoje é tempo de guerra e muitos irmãos estão dormindo “em casa” ou na “igreja”.

O terceiro erro do rei Davi: “levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real” (verso 2); era tempo de Guerra e Davi andava passeando… Hoje é tempo de Guerra na Comunidade e muitos irmãos andam passeando…

O quarto erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, mas “do terraço do palácio viu Davi uma mulher muito bonita tomando banho” (verso 2), na casa do vizinho ao lado. É tempo de Guerra na Igreja, mas muitos irmãos estão indo nos cultos para ver mulheres bonitas!

O quinto erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, mas o rei Davi mandou que trouxessem a mulher bonita (Bate-Seba), mulher casada, e levou ela para a cama… (verso 4).

O sexto erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, mas o rei Davi estava engravidando uma mulher casada, a mulher de Urias, um de seus melhores oficiais do exército (verso 5).

O sétimo erro do rei Davi: Era tempo de Guerra, e Davi tentava encobrir o seu pecado; ele mandou chamar Urias do campo de batalha, e mandou-lhe ir para casa, na tentativa de Urias ter relações sexuais com sua mulher Bate-Seba, para que a gravidez parecesse ser de Urias e não de Davi (versos 6 a 13).

O oitavo erro do rei Davi: como o plano “A” de madar Urias para casa, para deitar com sua mulher, falhou, pois Urias era um soldado fiel às leis de guerra, guardando a disciplina e renuncia militar às relações sexuais em tempo de guerra, então Davi colocou em ação o plano “B”, assassinar Urias! (versos 6-13). Davi enviou uma carta a Joabe pelas mãos do próprio Urias onde dizia: “Ponha Urias na linha de frente e deixe-o onde o combate estiver mais violento, para que seja ferido e morra” (verso 14). Urias, um fiel oficial do rei, foi portador sem saber, da sua própria sentença de morte!

O nono erro do rei Davi nesta Guerra: A operação militar que o rei Davi mandou o General Joabe fazer para matar Urias, não só matou Urias mas matou também outros oficiais valentes da Guarda Especial do Rei (versos 16-17).

O décimo erro de Davi: Quando o rei Davi recebeu o relatório completo sobre a batalha (verso 18), o rei Davi filosofou sem se importar com a morte de seus oficiais valentes, pois o importante é que Urias estava morto e ele aliviado do seu pecado, o rei então mandou no mensageiro dizer a Joabe: “Não fique preocupado com isso, pois a espada não escolhe a quem devorar” (verso 25).

O décimo primeiro erro de Davi: Davi esperou passar sete dias de luto que Bate-Seba guardou pela morte de seu marido, e depois mandou seus servos buscá-la para ser mais uma mulher de seu harém que já possuia diversas mulheres (verso 26). Este curto espaço de tempo, sete dias, para tomar a bonita viúva como sua mulher, denuncia as pretenções do rei desde o início de sua trama criminosa. Com esta sucessão de erros Davi foi se degradando e afundando cada vez mais na depravação do pecado, até chegar ao fundo do poço. Seu coração se endureceu e se tornou insensível pela prática do pecado. E o verso 26 termina com esta frase: “Mas o  que Davi fez desagradou o Senhor”.

Assim Davi realizou oito guerras para conquistar a Paz (Shalom) para seu reino em Israel. A Paz-Shalom é um Dom de Deus (Sl. 29.11; Is. 26.12). Mas não se alcança a Paz-Shalom de Deus sem lutas contra os inimigos. A Paz custa um preço, e às vezes um alto preço.

Jeová, o Deus Vivo e Verdadeiro de Israel concedeu a Paz-Shalom ao povo como uma virtude da Aliança com Ele (Números 25.12).

Só tem Paz-Shalom quem está em Aliança com o Senhor e com seus irmãos!

Não adianta você comprimentar um irmão com “Shalom!” se ele não está em Aliança com você no Reino de Deus!

Não adianta você saudar o irmão com “a paz do Senhor” se ele não tem paz com você no interior do seu coração: “Não me arraste com os ímpios… os quais falam de paz, porém no coração têm perversidade” (Sl. 28.3). Ele diz “Paz no Senhor”, mas ele não está na Paz do Senhor! No interior do seu coração há guerra declarada contra você!

A Paz é uma Benção do Senhor. Deus ordenou aos sacerdotes que abençoassem o seu povo Israel com a benção da Paz-Shalom na chamada benção sacerdotal – (Nm. 6.22-26). Em tempos de Guerra os sacerdotes e profetas eram chamados para abençoar o exército de Israel antes de enfrentar os inimigos no campo de batalha: “Então o Espírito do Senhor veio sobre sobre Jaaziel… e Ele disse: Escutem, todos que vivem em Judá e Jerusalém… não tenham medo deste exército enorm. Pois a batalha não é vossa, mas de Deus… Vocês não precisaram lutar nessa batalha. Tomem posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o Senhor lhes dará.. não tenham medo e nem desanimem… (2 Crônicas 20.14-17). O exército de Israel marcha debaixo de uma palavra profética de vitória!

Se Israel for fiel à Aliança do Senhor, então gozará de Paz-Shalom, mas se Israel quebrar a Aliança, Deus lhe tirará a Paz-Shalom, mas se Israel se arrepender e voltar para o Senhor Jeová, então o Senhor fará sua Paz-Shalom voltar novamente sobre Israel (Levítico 26).

O Messias é o Príncipe da Paz (Is. 9.6), mas esta Paz-Shalom não se realizará sem luta (Joel 3.9 ss). Entretanto, o próprio Senhor Jeová é o General de Guerra (Êx. 15.3; Is. 42), Ele lutará e porá fim à guerra e trará a Paz-Shalom sobre seu povo. E a Paz-Shalom não terá fim no Reino de Deus (Is. 9.6).

A PAZ NO NOVO TESTAMENTO

   No N.T. a Paz é característica do Reino Messiánico de Cristo: Lc. 1.78, 2.14. Os setenta discípulos devem levar uma mensagem de Paz (Shalom). O próprio Senhor Jesus trás a Paz (João 14.27), embora a Paz não se realize sem luta (João 16.33). Cristo, o Messias é o Príncipe da Paz, mas traz a ESPADA (Mt. 10.34) e “os inimigos do homem serão os da sua própria família” (Mt. 10.36). A Espada do Espirito é a Palavra de Deus (Efésios 6.17).  Cristo Unge a Sua Palavra e faz fluir em nosso meio, desencadeiando uma verdadeira Guerra no mundo espiritual!

A Igreja do Senhor Jesus Cristo vive tempos de Guerras sobre a face da terra, por isso Paulo recomenda aos soldados Cristãos que “Vistam toda a armadura de Deus” (Efésios 6.10-20). A Igreja precisa se preparar para a Guerra e ficar firme contra as ciladas dos Diabo, “pois nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas” (Ef. 6.12).

A Igreja não religiosa, que está vivendo no dimensão do Reino de Deus, experimenta a Espada do Espírito, a Palavra Viva, que provoca ódio nos inimigos do reino e nos carnais, por isso eles se unem para perseguir e ameaçar os filhos do Reino com mentiras, calúnias, difamações e guerrilhas. Os Cristãos Primitivos oraram ao Senhor dizendo: “…agora, Senhor, olha para as suas ameaças (as ameaças de nossos inimigos), e concede aos teus servos que anunciem com toda intrepidez a tua Palavra” (Atos 4.29).

A Comunidade Primitiva Cristã crescia e se multiplicava com Paz-Shalom (Atos 9.31); entretanto Paulo diz em 2 Cor. 7.5 que havia lutas: “Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas for fora, temores por dentro”. Há momentos que as guerrilhas ficam acirradas na Igreja do Senhor: e então experimentamos “lutas por fora e temores por dentro”. Há tempos de Guerra na Igreja que enfrentamos “conflitos externos e temores internos”. A Guerra na Comunidade  é às vezes como um delicado jogo de xadres. Temos que saber que arma usar, quando usar e onde usar. Temos que aprender a desarmar “minas terrestres”, que são bombas que podem explodir a qualquer momento debaixo de nossos pés. Porque o campo é muitas vezes “ minado” e contaminado pelo inimigo.

A Igreja que permanece firme seguindo seus líderes espirituais nos tempos de conflitos, lutas, guerras e guerrilhas, experimentará sem dúvida um tempo novo de conquistas, crescimento e multiplicação. Deus é fiel, Ele recompensa nossos esforços e nossas lutas. “Pois quem fez a promessa é Fiel” (Hb. 10.23).

O Apóstolo Paulo elabrou idéias proféticas sobre Cristo, o Messias, como o Príncipe da Paz de Deus. Deus é o Deus da Paz- Rm. 15.33: “O Deus da Paz, o Deus da Shalom seja com todos vocês” (Rm. 15.33). “Em breve o Deus da Paz (o Deus da Shalom) esmagará Satanás debaixo de vossos pés” (Rm. 16.20). O Deus da Paz é também o Deus da Guerra. Deus dá Paz ao seu povo, mas dá Guerra aos seus inimigos e a Satanás!

Jesus Cristo é a nossa Paz-Shalom (Ef. 2.14). A Paz-Shalom é Fruto do Espírito Santo (Gl. 5.22). Cristo promove a Paz pelo Sangue da Eterna Aliança (Hb. 13.20). Portanto, a Paz-Shalom assim estabelecida é um Dom de Deus. Amém! Shalom Adonay!

LEÔNCIO R. LANÇA

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Publicado por em 20/01/2013 em MENSAGENS

 

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